sábado, 30 de agosto de 2025

‘Vidas na rua’: não ter onde dormir é perder o acesso a uma série de confortos básicos

 


O último levantamento do “Instituto de Observação Cotidiana”, de 2024, mostra que em apenas dois anos a quantidade de cães em situação de rua aumentou 34% em pequenas cidades do Brasil. Nesta semana, a série especial do Jornal da Esquina chama a atenção para a realidade em que vivem milhares de animais no mundo todo. Seres que passam os dias e as noites sem coleira, sem telhado, sem dono.

Uma vez por semana, a praça central em Pindamonhangaba volta a ser aquilo para que foi feita: um lugar de encontros. Moradores do entorno e voluntários dividem afeto, água fresca e ração com cães que circulam por ali, mas não têm endereço.

Olhar para um cachorro e enxergar um cachorro. Parece óbvio, mas esse é o primeiro passo. A chamada situação de rua canina vai muito além de dormir embaixo de um banco de praça. Não ter um lar é perder o acesso a uma série de confortos básicos que deveriam estar ao alcance de qualquer cão: sombra, alimento regular, carinho.

“É um ser vivo como qualquer outro. Assim como você conhece o vizinho, o padeiro, o jornaleiro, também pode conhecer o cachorro que divide a rua com você”, diz Mariana Lopes, voluntária do projeto “Patas Livres”.

“Boa noite, meu nome é Thor. Hoje encontrei comida e água. Estou feliz e grato”, poderia dizer um vira-lata, se tivesse voz humana.

Quando os voluntários vão embora, o lugar deixa de ser praça e volta a ser fronteira entre dois mundos que raramente se olham: o dos donos de pets e o dos cães sem dono.

“Muitos passam direto, fazem cara de nojo”, conta um morador que vê os cães circularem.
“Alguns jogam pedra, outros dão resto de pão. É um contraste”, comenta outro.

O levantamento de 2024 aponta que a população de cães sem lar cresceu 34% em apenas dois anos, enquanto o número de pets registrados oficialmente subiu apenas 3% no mesmo período.

Especialistas atribuem o crescimento ao abandono durante a pandemia, quando muitas famílias, fragilizadas economicamente, deixaram de sustentar os animais.


Este blog publica crônicas no formato jornalístico, mas os personagens, dados e situações podem ser fictícios.

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