segunda-feira, 23 de junho de 2025

PLANO DE AULA- PRODUÇÃO TEXTUAL - 2º ano - Data: 05 e 06/10/2015

 Conteúdo: O PSS e a carta do leitor

Objetivos:

Entender o que é o PSS e a estrutura das questões;

Saber as exigências da produção textual no PSS;

Compreender as características do gênero textual carta do leitor;

Fazer uso da carta do leitor em outras situações além do PSS;

Produzir uma carta do leitor em uma simulação da prova de produção textual do PSS.

Introdução:

Para iniciar a primeira aula, será perguntado quem pretende fazer o PSS e o que sabem sobre ele. Em seguida, serão apresentadas, oralmente, as características da produção textual do PSS, e levantado o conhecimento prévio dos alunos sobre o gênero textual carta do leitor, levando em conta questões como: o que é? Onde circula? Para que serve?

Na segunda aula, fazer leitura de texto que gera polêmica, o qual trata sobre a legalização da maconha.

Desenvolvimento:

Na primeira aula, explanar oralmente, a partir de texto que será entregue para os alunos, as exigências do PSS. Salientar que quem não fará PSS também utilizará tais conhecimentos, pois serão necessários para as aulas.

Mostrar, oralmente, a partir de dois exemplos de carta que serão entregues para os alunos, características do subgênero carta do leitor. Então, entregar material fotocopiado de um resumo sobre as características do subgênero carta do leitor e retomar o que foi explicado com outros dois exemplos do material fotocopiado.

Síntese integradora:

Como forma de avaliar a compreensão dos alunos acerca do conteúdo, em um segundo momento (dia 06), será realizado um simulado da produção textual do PSS, quando os alunos deverão escrever uma primeira versão (rascunho) e a versão definitiva de uma carta do leitor. O tema proposto é um texto sobre a legalização da maconha, a turma poderá ter opinião favorável ou contrária.

Enunciado de comando:

“Elabore sua redação, em prosa, com um mínimo de 10 linhas e máximo de 17 linhas, colocando um título.

Considerando os textos vista em sala de aula, desenvolva um texto no gênero carta do leitor, seu argumento deve ser favorável ou negativo, de acordo com a divisão feita na sala”.

Atividade extra: Solicitar que respondam a um simulado de PSS.

Recursos didáticos:

Quadro negro, giz, apagador, material fotocopiado e folhas para a produção textual.

Referências:

CABRAL, Sara Regina Scotta. Carta do leitor – um gênero textual. 2002.

Exemplo de carta do leitor, disponível em: http://loucosportecnologias.blogspot.com.br/2013/08/a-coluna-cartas-do-leitor-e-um-espaco.htm Acesso: 01-10-2015 http://cps.uepg.br/pss/Documentos/2013/Revista_PSS.pdf Acesso: 01-10-2015 http://www.brasilescola.com/redacao/a-carta-leitor.htm Acesso: 01-10-2015 http://nota10sempre.blogspot.com.br/2010/09/carta-do-leitor.html Acesso: 01-10-2015 http://professoredmundo.com.br/index.php/exemplo-carta/ Acesso: 01-10-2015

http://controlesocialdesarandi.com.br/biblioteca-do-social/modelo-carta-leitor/

Texto com exemplo de carta de leitor do vestibular da UEM, disponível em: http://cabine17.blogspot.com.br/2012/09/normal-0-21-false-false-false-pt-br-x.html Acesso: 01-10-2015

Texto sobre legalização da maconha, disponível em: http://www.opovo.com.br/app/opovo/opiniao/2014/09/18/noticiasjornalopiniao,3316465/sobre-a-legalizacao-da-maconha.shtml Acesso: 01-10-2015

Anexos:

Anexo 1:

São Paulo, sábado, 1 de outubro de 2005

MURAL - FILMES

“Gostei da reportagem que vocês publicaram em julho (“Sempre em Cartaz’), sobre filmes que as crianças não enjoam de assistir. Estou muito contente por vocês publicarem essas matérias interessantes. Os quadrinhos estão cada dia mais legais. Quero que continuem assim, um jornal divertido. Eu também acho o H superfofo!”

Paula, 9 anos, de São Paulo, SP

Anexo 2:

Arapongas, 05 de Julho de 2013.

Prezado Sr. Silva,

Como leitor assíduo da revisa Saúde, em primeiro lugar, venho agradecer o benefício que os artigos publicados vêm proporcionando à minha família. Muitas das dicas fornecidas, conseguimos colocar em prática e, dessa forma, melhorando consideravelmente nosso bem estar.

No último número da revista, lemos uma matéria sobre os perigos que o excesso de sal na alimentação podem provocar à nossa saúde. É fato que já tínhamos algum conhecimento sobre o assunto, porém, não em detalhes. Como nossa família está sempre em busca de uma vida mais saudável, desejamos, também, colocar em prática algumas destas dicas.

Ocorre que o sal já faz parte de nossas vidas há tempos e não se encontra com tanta facilidade receitas que não o utilizem.

Sendo assim, solicito a gentileza de, se puderem,

publicar receitas de pratos onde possamos substituir o sal por outras ervas ou condimentos que não prejudiquem nossa saúde. Atenciosamente,

Leitor.

Anexo 3:

ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO PARANÁ

PROJETO DE LEI Nº 134/2007

DECRETA:

Art. 1.º Os supermercados, estabelecimentos congêneres e o comércio em geral ficam obrigados a oferecerem aos seus clientes sacolas ou sacos plásticos de material biodegradável ou utilizável para embalagens dos produtos. (...) (www.crea-pr.org.br/crea2/html/projetos_lei)

(UEM) Como leitor, escreva uma carta ao editor de uma revista semanal, com até quinze linhas, expressando sua opinião sobre a temática abordada na coletânea de textos. Assine a carta com apenas a inicial do seu sobrenome final.

Maringá, 28 de outubro de 2009.

Ao editor da Revista ABC, Associação Brasileira de comercio

Sou proprietário de uma rede de supermercados da região e, como acompanho semanalmente sua revista, também gostaria de expressar a minha opinião sobre a questão da substituição das sacolas plásticas por retornáveis. Por uma questão de praticidade, sei que tanto as sacolas de plástico quanto as garrafas pet surgiram de reclamações de consumidores cansados de carregar vasilhames ou de ter comprar espalhadas porque as sacolas de papel não eram resistentes. Lembro-me bem desses problemas. No entanto, senhor editor, após cinqüenta anos, percebo bem o que poderia ser visto como um retrocesso, na verdade não passa de algo muito benéfico para toda sociedade. Assim, acredito que a medida tomada pela Assembléia Legislativa de sancionar uma lei que obrigue os comerciantes a oferecerem sacolas biodegradáveis ou retornáveis a seus clientes foi de extrema importância, porque a população, finalmente, começará a contribuir com a diminuição dos impactos da ação humana na natureza.

Além disso, escrevo-lhe esta carta, pois acredito que a ABC pode, inclusive, auxiliar na fiscalização do cumprimento dessa lei, pois tenho reparado que, infelizmente, muitos comerciantes ainda não se conscientizaram de que a substituição das sacolas plásticas não é apenas uma necessidade legal, mas prova de consciência e de responsabilidade ecológica.

Cordialmente,

G.

Anexo 4:

Sobre a legalização da maconha

A maconha tem dois princípios ativos, o Canabidiol–CBD e o delta-9-tetra-hidrocanabinol (THC). Esse último comprovadamente prejudica o funcionamento do cérebro, reduz a memória, o aprendizado e a inteligência, agrava os transtornos mentais preexistentes e, segundo pesquisa mais recente, a substância perturba gravemente o desenvolvimento da personalidade e a integração das experiências emocionais.

É um dos componentes causadores das psicoses. Além dessa gama de fatores, a maconha fumada é viciante e tem mais de 400 substancias cancerígenas. Os pró-legalização querem confundir o grande público. Se existe algum benefício na maconha está no Canabidiol, embora a farmacologia ainda não tenha pesquisas que comprovem cientificamente o seu benefício em longo prazo.

Se a legalização recreativa da maconha acontecer em nosso País, como querem os seus defensores, ficamos mais uma vez expostos aos riscos geradores de violência social. Recentes estudos coordenados pela Organização dos Estados Americanos (OEA) têm demonstrado que, em todos os países onde houve algum nível de liberação das drogas, o consumo aumentou notadamente entre os jovens. Este é o caso de Portugal, Áustria, Holanda, Reino Unido, alguns estados americanos e o Brasil – onde, em 2006, a legislação abrandou a pena para o consumidor. O debate em torno de sua regulamentação esquentou depois que o Uruguai aprovou, em dezembro, a produção e a venda da maconha, droga mais consumida no mundo.

Por isso chamamos a atenção, por meio do Movimento Brasil sem Drogas, para o assunto. Até o final deste ano, diversas atividades educativas serão realizadas para alertar a população e gerar a discussão. Existe muito desconhecimento sobre o assunto por parte da nossa população e o Senado está se aproveitando disso para avançar nas audiências públicas sempre em horários incomuns. É importante que a população seja alertada sobre os riscos de uma eventual legalização dessa droga que não é tão inofensiva como dizem os que estão favoráveis à legalização.

Anexo 5:

CARTA DO LEITOR

Características: -Gênero textual em que um leitor expressa opiniões (favoráveis ou não) a respeito de assunto publicado em revistas, jornais, ou a respeito do tratamento dado ao assunto; -nesse gênero textual, o autor pode também esclarecer ou acrescentar informações ao que foi publicado; -apesar de ter um destinatário específico – o diretor da revista, ou o jornalista que escreveu determinado artigo –, a carta do leitor pode ser publicada e lida por todos os leitores do meio de comunicação para o qual ela foi enviada; -na carta do leitor, a linguagem pode ser mais pessoal (empregando pronomes e verbos em 1ª pessoa) ou mais impessoal (empregando pronomes e verbos na 3ª pessoa) ou ainda pode utilizar os dois tipos de linguagem; a menor ou maior impessoalidade depende da intenção do autor: protestar, brincar ou impressionar, por exemplo. ATENÇÃO: NAS CARTAS DEVEM CONSTAR: DATA, DESPEDIDA, SAUDAÇÕES, ASSINATURA (SEMPRE A ABREVIAÇÃO DO NOME, CASO NÃO HAJA INSTRUÇÃO DE COMO ASSINAR)

As cartas de leitor escritas para o vestibular possuem uma estrutura um pouco diferente daquelas que nós lemos nos jornais ou revistas, pois as redações dos jornais/revistas muitas vezes parafraseiam as cartas originais e sintetizam as suas ideias. Além disso, no vestibular não pode haver identificação do autor na carta, com a assinatura do nome completo.

Resenha do texto “Teoria e Prática na Reconstrução da Concepção de Linguagem do Professor de Línguas”

 No texto “Teoria e Prática na Reconstrução da Concepção de Linguagem do Professor de Línguas”, a autora Solange T. Ricardo de Castro aponta, no resumo, que o objetivo de seu trabalho é “discutir os resultados de oportunidades de aprendizagem, oferecidas a professores de inglês da rede pública estadual, na reconstrução de suas concepções de linguagem”.

Afirma ela que o que se discutirá são as mudanças nas concepções de linguagem de tais professores. Em seu brilhante texto, o qual está dividido em partes: Introdução, Ações Docentes no Módulo, Concepções de Linguagem, Considerações Finais e Processo de reconstrução do conhecimento do professor, a autora apresenta, neste último, a sua opinião de que há um papel crucial, para a mudança no modo de pensar do docente, na mediação pela palavra.

Nesse trabalho a autora analisa resultados de oportunidades de aprendizagem que foram construídas como parte de um curso de formação em serviço para professores de inglês.

Segundo a autora, sempre perspicaz, a mediação pela palavra tem papel crucial, nas situações de aprendizagem em que o professor participa e, nas quais, acontece uma alteração no sistema de pensamento do professor.

Castro expõe que nesse processo, o professor re-elabora seu conhecimento e modifica seus conceitos de linguagem e de aprendizagem. A autora cita Vygotsky, apontando a importância da coexistência entre conhecimentos adquiridos pela prática e conhecimentos técnicos. Isto, evidentemente, torna seu texto mais fidedigno.

Ela expõe que foi possibilitado aos professores-alunos durante as aulas: a discussão das teorias de linguagem e de aprendizagem de línguas e a elaboração de planos de aula.

A autora descreve em seu texto que, nas discussões, foi contraposto com as visões dos professores a visão sociointeracionista da linguagem. Os planos de aula, descreve ela, foram elaborados e, na terceira semana de aulas, eles foram re-elaborados por causa das “discussões teórico-práticas”. Pois o objetivo do curso era formar um professor reflexivo, acredita ela.

Como resultado do curso, a autora nos aponta que os professores-alunos apropriaram-se de uma visão sociointeracionista da linguagem, o que significa que responderam bem aos estímulos do curso.

Castro nos apresenta duas visões que os professores tinham: a visão funcional e a estrutural. Ela nos aponta como o curso foi bem sucedido com os professores de inglês, deixando para trás essas concepções.

Isto nos prova que é realmente um trabalho que merece ser lido, especialmente pelos professores e pelos estudantes de letras. É um trabalho que nos mostra a importância de se ter uma visão mais adequada da linguagem e da aprendizagem.

Plano de aula do 4º ano do ensino fundamental - História - parte 1

 PR.EF04HI10.c.4.20

UNIDADE TEMÁTICA:

Questões históricas relativas às migrações.

OBJETO DE CONHECIMENTO

Os processos migratórios para a formação do Brasil: os grupos indígenas, a presença portuguesa e a diáspora forçada dos africanos.

CONTEÚDOS:

Formação da sociedade brasileira/paranaense.

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM:

Compreender como se deu a chegada dos portugueses e africanos às terras brasileiras e à localidade paranaense associando à exploração das terras e recursos.

Introdução:

A fim de realizar uma atividade que trabalhe com uma linguagem distinta, reproduza para os alunos a música “Pindorama”, do grupo Palavra Cantada. Explique que o título da canção faz referência à forma como antigas populações indígenas se referiam ao território que viria a formar o Brasil. O termo é interpretado também como a mítica “terra sem mal”, em busca da qual alguns povos indígenas tupi realizavam constantes migrações.

Desenvolvimento:

Primeiro, reproduza a música sem a letra da canção; depois, realize uma segunda audição, dessa vez acompanhada da letra. Com essa variação, os alunos podem perceber as diferentes formas de fruição de uma música. 

Realize uma análise da letra da música.

Síntese integradora:

Após a audição, proponha algumas perguntas, como: 

Que fatos e personagens históricos são citados na música? 

Por que se afirma que Pindorama já existia antes da chegada de Cabral? 

O que são a Vera Cruz e o monte Pascoal? 

Quais significados a palavra “índias” tem na letra da música? 

Nas duas últimas estrofes, afirma-se que o “Brasil tá inteirinho na voz” e quem quiser descobri-lo, “só depois do ano 2000”. Como você entende essas afirmações? Explique.

Fontes:

Palavra Cantada | Pindorama

Vida Criança: Geografia e História: 4º ano / Valquiria Garcia, Caroline Minorelli e Charles Chiba. – 1. ed. - São Paulo: Saraiva Educação S.A., 2021.


Anexo:

Pindorama, Pindorama

É o Brasil antes de Cabral

Pindorama, Pindorama

É tão longe de Portugal


Fica além, muito além

Do encontro do mar com o céu

Fica além, muito além

Dos domínios de Dom Manuel


Vera Cruz, Vera Cruz

Quem achou foi Portugal

Vera Cruz, Vera Cruz

Atrás do Monte Pascoal


Bem ali, Cabral viu

Dia 22 de abril

Não só viu, descobriu

Toda a terra do Brasil


Pindorama, Pindorama

Mas os índios já estavam aqui

Pindorama, Pindorama

Já falavam tudo em tupi


Só depois vêm vocês

Que falavam tudo em português

Só depois, com vocês

Nossa vida mudou de uma vez


Pero Vaz, Pero Vaz

Disse numa carta ao rei

Que no altar, sob a cruz

Rezou missa o nosso frei


Mas depois, seu Cabral

Foi saindo devagar

Do país tropical

Para as Índias encontrar

Para as Índias, para as Índias

Mas as índias já estavam aqui

Avisamos, olha as índias!

Mas Cabral não entende tupi


Se mandou para o mar

Ver as índias em outro lugar

Deu chabu, deu azar

Muitas naus não puderam voltar


Mas enfim, desconfio

Não foi nada ocasional

Que Cabral, num desvio

Viu a terra e disse: Uau!

Não foi não, foi enfim, foi um plano imperial

Pra aportar seus navios num país monumental


A Álvares Cabral

A El-rei Dom Manuel

Ao índio do Brasil

E ainda a quem me ouviu


Vou dizer, descobri

O Brasil tá inteirinho na voz

Quem quiser vem ouvir

Pindorama tá dentro de nós


A Álvares Cabral

A El-rei Dom Manuel

Ao índio do Brasil

E ainda a quem me ouviu


Vou dizer, vem ouvir

É um país muito sutil

Quem quiser descobrir

Só depois do ano 2000!


Hoje todo mundo é emo. Você concorda?

Em um passado não tão distante, o termo "emo" surgiu para definir um estilo musical e um comportamento mais sensível, introspectivo e, para muitos, diferente do que era comum na sociedade. A música que marcou essa época, com sua letra cheia de sentimentos à flor da pele, traduzia bem as dificuldades e a delicadeza de quem se identificava com esse movimento.

Hoje, parece que todo mundo é "emo" — não mais apenas na forma de vestir ou na música, mas no jeito como lidamos com as situações do dia a dia. A palavra virou quase uma metáfora para a sensibilidade exagerada ou para quem demonstra fragilidade.

No entanto, é curioso perceber que, ao mesmo tempo em que muitas pessoas se sentem assim, a sociedade, as instituições e até as leis parecem agir como se fossem "emo" demais — isto é, frágeis e incapazes de se impor quando deveriam ser firmes e justas. A lei, que deveria proteger e garantir o certo, muitas vezes é flexível demais, deixando escapar o que realmente precisa ser combatido.

Assim como na música, onde o personagem sofre por pequenas coisas — a franja que esconde um olho, a maquiagem borrada, a dor do piercing —, a sociedade também parece sofrer por suas próprias "pequenas dores" enquanto ignora problemas maiores e mais graves que mereciam uma resposta forte e decisiva.

Em resumo, “ser emo” não é problema quando é uma forma legítima de expressar sentimentos. O problema é quando a sensibilidade vira desculpa para fraqueza e para a falta de atitude, seja em nossas vidas pessoais, seja nas estruturas que deveriam funcionar com firmeza para garantir justiça e ordem.

domingo, 22 de junho de 2025

Sobre a realidade da atualidade - 2025

No mundo ocidental, do qual faço parte, o hedonismo é uma marca evidente. Na mídia, nas músicas e no cotidiano, percebe-se uma constante exaltação do prazer imediato. Poucos parecem se importar com o futuro ou com o estado do mundo — o foco é viver o presente ao máximo. Se as consequências forem negativas lá na frente, que se culpem os hedonistas de hoje.

Não há, ao que parece, um esforço genuíno, vindo de nenhuma direção, para tornar o mundo um lugar melhor. O que prevalece é a lógica do “aproveite enquanto dura”.

Diante desse cenário, restam duas opções:

  1. Viver em oposição a essa cultura dominante, resistindo ao hedonismo reinante;

  2. Aderir a esse modo de vida, ignorando as implicações futuras.

A escolha, no entanto, é complexa. Numa sociedade em que quase ninguém se importa, quem decide nadar contra a corrente torna-se o “patinho feio” em meio à massa conformada e homogênea.


sábado, 21 de junho de 2025

Zé Chico

Zé Chico se aconchegou naquela festa junina que mais parecia um velório disfarçado de arraial. O povo mastigava cachorros-quentes e pedaços de bolo com a alegria de quem cumpre um dever. Uns dançavam uma quadrilha tão automática que pareciam bonecos de corda — e a tal da laranja mecânica, símbolo da brincadeira local, nem sequer existia.

Mas Chico era homem de lenha e faísca. Avistou um sujeito — ou melhor, um paspalho de dar dó — e, sem pensar duas vezes, despejou um copo d’água bem no meio das calças do infeliz, como quem rega terra seca. O pobre coitado ficou com a frente toda encharcada. Antes que o rastro da maldade apontasse pra ele, Zé acusou o careca que estava logo à frente. E como o careca estava, de fato, na frente, havia boas chances de parecer culpado.

O paspalho se virou indignado pro careca. O careca, por sua vez, se voltou furioso pra Zé Chico. E ali se formou a confusão: dedo no rosto, voz alterada e xingamento voando como milho estourando na panela.

— Careca mentiroso! — gritava Zé, com ar de indignado profissional.
— Moleque safado! — berrava Ronaldo, o careca, correndo atrás dele com o punho cerrado.

Enquanto isso, o paspalho, todo molhado, parecia cada vez mais convencido de que havia se urinado e já ameaçava partir pra cima dos dois.

Zé Totico

 

CENA 1 — O CASAMENTO DO SEU CHICO

Hoje é dia de festa na vila. Seu Chico Padeiro, velho conhecido, homem trabalhador e meio turrão, vai se casar com a jovem Rita — moça bonita, mas metida que só ela. A vila inteira está reunida na igrejinha. Tem música, gente bem vestida, e claro… muita fofoca.

Você, Zé Totico, está ali encostado num poste, comendo um pastel, observando tudo. Já percebeu que:

  • A ex do Seu Chico está sentada lá no fundo, remoendo ódio.

  • O padre parece ter tomado umas antes da missa.

  • E o primo da noiva, que veio da capital, está tirando onda com todo mundo da vila, dizendo que "aqui é tudo atraso de vida".

A confusão está pronta pra acontecer. Basta um empurrãozinho.

CENA 2 — O COMEÇO DO RUMOR

Você se aproxima de Dona Carminha, velha fofoqueira oficial da vila, que já disse uma vez que tinha "dom pra saber das coisas". Sabe que se plantar ali, a notícia se espalha mais rápido que fogo em palha seca.

Você chega perto, disfarçado de curioso:

— Dona Carminha... a senhora reparou que a Rita tá com um colar novo? Dizem que foi o primo da capital que deu... e não foi só colar não...

Ela arregala os olhos como uma coruja vendo fantasma.

— Hein? Como assim, meu filho? Mas o casamento é HOJE!

Você não responde. Só levanta as sobrancelhas, dá de ombros e diz:

— Só reparei, só reparei...

Dona Carminha já levanta e vai cochichar com a comadre Lurdes. E Lurdes, que tem voz de taquara rachada, cochicha gritando, como sempre.

— VOCÊ TÁ ME DIZENDO QUE A RITA TÁ COM O PRIMO DA CAPITAL?

Todo mundo em volta já vira o rosto.

A fofoca já tá nos bancos da frente da igreja, e o padre começa a gaguejar ao ver a Rita sussurrando com o primo.

Seu Chico, coitado, já olha torto pra trás enquanto o sanfoneiro engasga no "Ave Maria".

Você, Zé Totico, se afasta devagar, mastigando o último pedaço do pastel, fingindo que nem sabe o que está acontecendo.

Mas aí...

— Ô Zé Totico... — diz uma voz por trás de você.
É Dona Zuleide, velha amiga da sua mãe. — Você viu o que tá acontecendo? Será que é verdade mesmo?

Ela te encara com aquele olhar de quem sonda alma.

Ahhh... Zé Totico, você é um artista.

Você arregala os olhos como se tivesse ouvido a história agora.

— Oxente, Dona Zuleide! Tá me dizendo isso? A Rita?! Com o primo da capital? Num me diga... Mas sabe que agora que a senhora falou, eu reparei sim que ele passou a mão nas costas dela quando chegou... e ela riu meio sem graça... coisa esquisita...

Você abaixa o tom da voz, olha pros lados, e completa:

— Mas é melhor não espalhar isso, viu? Vai que é só impressão...

Claro que é tarde demais. Dona Zuleide já se virou de lado, puxou o braço do irmão do noivo, e cochichou no ouvido dele com a delicadeza de um trovão em céu limpo.

CENA 3 — O CLIMA PESA

Lá na frente, o padre já ergue o braço pra abençoar o casal. Mas Seu Chico tá tenso. O primo da capital agora está encostado na parede, de braços cruzados, e Rita olha em volta, desconfiada — parece sentir que tem algo errado no ar.

Você vê:

  • O sanfoneiro dá uma nota errada.

  • A ex do Chico sorri pela primeira vez no dia.

  • E o padre, já com o cálice na mão, deixa escapar:

— "Aceitas esta mulher como sua legítima esposa, mesmo que ela tenha um passado… ééé... glorioso?"

O silêncio pesa.

De repente, Seu Chico olha direto pro primo da capital, depois pra Rita. O clima esquenta. Ele larga o buquê no chão.

— Rita... você tem algo pra me dizer?

A plateia faz um "oooooooh".

Zé Totico, você não joga água no fogo... você joga óleo de dendê, e ainda sopra pra espalhar bem.

Você se aproxima do compadre Genival, que é meio surdo, mas adora gritar quando acha que entendeu alguma coisa. E diz baixinho, com cara de quem não queria dizer:

— Rapaz... ouvi dizer que o primo da capital nem é primo de verdade. Dizem que ele já foi visto com Rita antes mesmo dela conhecer o Chico. Vai saber...

Compadre Genival franze a testa, leva a mão ao queixo, e pergunta alto — alto demais:

— ENTÃO O PRIMO NÃO É PRIMO?

Silêncio. A igreja para. As velhas se benzem. O padre derrama o vinho.

Seu Chico dá um passo pra trás. A Rita fecha a cara. O primo da capital arqueia a sobrancelha como se não entendesse, mas já começa a coçar o colarinho.

— Rita, quem é esse homem afinal?, diz Seu Chico.

Ela hesita. O primo tenta intervir:

— Calma aí, gente. Isso tá cheirando a fofoca…

E então, como nas grandes comédias de antigamente, um empurra o outro, o padre grita "Não na igreja!", e começa uma briga generalizada, com tia jogando flor no primo, sanfoneiro se protegendo com o acordeão, e a ex do Chico filmando tudo com um celular velho.

CENA FINAL — O MESTRE DESAPARECE

Você, Zé Totico, já está do lado de fora, sentado no parapeito da venda do Zeca, com outro pastel na mão e rindo com a alma.

— E ninguém nunca vai saber quem foi que começou...

PARABÉNS, ZÉ TOTICO!

Você criou um verdadeiro causo de vila, digno de ser contado por décadas nas festas juninas e jogado na roda junto com os clássicos do interior.

E melhor: ninguém nem sonha que foi você.

domingo, 15 de junho de 2025

Adalberto e a Dança do Gerente Possuído

 Na sexta-feira da apresentação mensal, todos estavam tensos. O ar-condicionado soprava aquele frio de consultório de dentista e as cadeiras de rodinha rangiam enquanto os chefes deslizavam de um lado pro outro, fingindo que estavam focados.

Entre todos ali, ninguém superava em antipatia o gerente Hermínio — um homem que falava como se estivesse sempre decepcionado com o mundo e com o gosto musical dos colegas.

Hermínio era daqueles que criticavam quem esquentava peixe no micro-ondas e usava a expressão “isso não é postura corporativa” com frequência assustadora. Mas ninguém podia fazer nada: era competente, intocável, e... insuportável.

Até que Adalberto, sempre ele, descobriu um antigo manuscrito tibetano sobre a “possessão consciente” — uma técnica proibida, esquecida, e ligeiramente mal traduzida. Em três noites de estudo e um chá de boldo místico, Adalberto aprendeu a dominar momentaneamente o corpo de outro ser humano.

Quem seria sua cobaia? Óbvio: Hermínio.

E assim, no auge da reunião, quando Hermínio começou a falar:

— Estamos num momento sensível do trimestre. Precisamos rever os indicadores de...

PAF.
Adalberto ativa a técnica em silêncio, olhos semicerrados, escondido atrás de uma pilha de pastas do financeiro.

Hermínio congela. Seus olhos piscam fora de ritmo. De repente...

“Dum tchic tchic dum tchic tchic” — começa a murmurar em ritmo tribal, enquanto se levanta e faz um gesto com os braços como se estivesse puxando cordas invisíveis do teto.

A equipe paralisa.

Hermínio, ainda sob o controle de Adalberto, faz um giro de corpo, levanta uma perna como um flamingo e solta um berro confiante:

“Alface é só um repolho covarde!”

Silêncio absoluto.

Cláudia, a fofoqueira oficial, já está com o celular gravando em posição vertical. Guto segura o riso. Neide derruba a tampa do copo térmico.

Hermínio então se ajoelha, coloca as mãos em concha na frente do rosto e encena um balé contemporâneo com direito a sussurros poéticos:

— “Eu sou a folha que caiu da ata de reunião... danço nu na planilha da vida!”

Aí, de repente, ele tira os sapatos, sobe na mesa da sala de reuniões e começa a marchar em círculos gritando:

“Eu declaro este escritório como território do povo do rebolado sagrado!”

Foi nesse momento que Adalberto, satisfeito, soltou o controle.

Hermínio parou. Olhou ao redor. Viu-se em cima da mesa, descalço, com a gravata amarrada na testa. E então, com toda a autoridade possível, disse:

— ...Continuando a apresentação...
Indicador número dois: produtividade.

Mas ninguém ouviu. Porque todos já estavam no grupo da empresa, vendo e comentando o vídeo com o título:

"Hermínio doido: o surgimento do Pajé Corporativo"

E Adalberto?
Sentado no canto, com sua maçã de sempre, pensava em voz baixa:

— Nada como um bom balé administrativo pra lembrar que até gerente tem perna.

Adalberto e o Peido Imortalizado

 Na empresa G.R. Soluções Logísticas, todos sabiam que zombar de Adalberto era o mesmo que cutucar a parede com garfo esperando resposta. Mas o estagiário Jefferson, recém-chegado, não sabia disso.

Durante uma pausa para o café, entre risadas e bolachas de aveia, soltou:
— Adalberto? Esse aí só fala sozinho. Aposto que se olhar pro espelho, perde na discussão.

A piadinha ecoou. Gargalhadas. Uma ou outra cuspida de café.
Adalberto, sentado no canto, fingiu não ouvir. Mas seus olhos brilharam daquele jeito que só brilham quando uma travessura já está sendo arquitetada.

Naquela tarde, a empresa silenciou de repente.

O tempo parou. Literalmente.
Corações congelados, relógios imóveis, moscas paradas no ar. Só Adalberto caminhava entre os cubículos como um maestro do caos.

Com um spray vermelho fosforescente em mãos e uma sacola plástica misteriosa na outra, entrou na sala de Jefferson. Observou com carinho a parede branca atrás da cadeira giratória. E começou, com letras bem redondas, a grafitar:

"EU QUE PEIDEI"

No último "i", caprichou: a bolinha foi desenhada em formato de feijão.
Depois, com precisão cirúrgica, limpou as digitais do spray, encaixou-o na mão paralisada de Jefferson e posicionou seu braço como quem termina de assinar uma obra-prima.

Mas faltava o toque especial.

Adalberto abriu a sacola. De lá, saíram três hamsters, uma galinha e, inexplicavelmente, uma cabra anã com expressão culpada.
Soltou os bichos sobre os papéis importantes de Jefferson, deixando rastros — e odores — inconfundíveis.

E então... o tempo voltou.

Bem nesse instante, Neide, a supervisora severa, estava subindo a escada.
Abriu a porta e viu Jefferson, de olhos arregalados, com uma lata de spray na mão, uma parede escrita "EU QUE PEIDEI", e atrás dele, um hamster saltando alegremente sobre um teclado coberto de cocô.

Silêncio mortal.

— JEFFERSON?! — berrou Neide.
— Eu... eu... isso não é... foi... não fui eu!

— E os animais? O que essa cabra tá fazendo aqui?

A cabra respondeu com um berro que pareceu dizer "injustiça!" e mastigou o rodapé da mesa.

Logo a sala estava cheia. Cláudia tirava fotos. Guto gravava vídeos. A notícia correu pelos corredores:

"Jefferson fez arte na parede e cagada na sala."

Jefferson tentou argumentar:
— Mas eu tava no café!
— Tava com o spray na mão, filho! — disse Neide, agora chamando o RH.

No grupo da empresa, a foto do muro viralizou. Abaixo da escrita, alguém editou:

"Coragem é assumir. Jefferson: o herói flatulento que o Brasil não pediu."

Enquanto isso, Adalberto, invisível atrás da impressora, comia uma maçã e pensava:
— Uma travessura por dia mantém a chatice afastada.

E assim, Jefferson virou lenda.
Não pelo trabalho. Não pelos relatórios.
Mas por um peido que nunca foi dele...
E que, na parede, segue eterno.

Adalberto e o Home Office de Ednilson

 Na manhã de terça, Ednilson chegou à empresa decidido a provar seu valor. A gerente havia autorizado que ele fizesse “home office interno” por uma semana — usar o computador da sala de reuniões pra adiantar os relatórios e responder e-mails com mais tranquilidade.

— Aqui ninguém me atrapalha — disse, ajeitando os fones. — Só café, foco e produtividade.

Mas Adalberto... bem, Adalberto achava o tédio uma ofensa pessoal. Invisível num canto da sala, sorvia um suco de maracujá (só pra provocar) e decidiu que seria um ótimo dia para mexer no Word, no e-mail e... nos grupos de WhatsApp da empresa.

Ednilson, concentrado no relatório "Tendências do Mercado Agroexportador 2025", apertou sem querer Ctrl+V numa mensagem destinada a toda a equipe de finanças.

Assunto: Relatório Parcial — por favor revisar
Anexo:
📄 "Reflexões sobre a luta de sumô para pessoas magras: espaço, identidade e o direito ao kimono"
Mensagem:

"Pessoal, segue o material. Preciso de um retorno urgente. O sumô é mais do que uma arte, é um grito dos ossudos. Abs!"

Silêncio.

Dois minutos depois, a notificação:
📩 Reinaldo — Gerente Financeiro:

“Ednilson… isso é uma metáfora para o balanço trimestral ou você está passando por algo que deveríamos saber?”

Adalberto, ainda invisível, já ria com os ombros.

Mas ele foi além.

Enquanto Ednilson abria uma aba pra assistir discretamente a uma videoaula sobre tabelas dinâmicas, Adalberto ativou, sem ele perceber, o compartilhamento de tela no grupo do Teams com toda a regional Sul.

Durante 14 segundos preciosos (registrados para a eternidade), todos assistiram:

  • Uma aba chamada “Clube da Toalha 🧖‍♂️ – SPA e sauna entre homens sensíveis”

  • Outra com um formulário chamado “Por que devemos ser a favor dos incels?”

  • E um rascunho de PowerPoint com o título: “A semiótica da cueca bege: padrões visuais ignorados pela mídia”

📲 Cláudia:

“Ednilson... tudo bem aí?”

📲 Zé Mauro:

“Cara... eu apoio a cueca bege, mas incel é demais até pra mim 😳”

📲 Guto:

“Que saudade da época que o Ednilson só falava de Excel”

Ednilson surtou.

— QUEM FEZ ISSO? O QUE É “CLUBE DA TOALHA”?! EU NEM TENHO SAUNA!

Tentou puxar o histórico. Tudo sumiu. Os arquivos, as abas... até o PowerPoint cuecalógico foi apagado.

Adalberto, do outro lado da sala, soprava levemente na nuca dele — só pra ver o pânico aumentar.

Horas depois, o gerente regional chamou Ednilson:

— Olha... ninguém aqui tem preconceito com nada. Só precisamos saber se isso foi pessoal, profissional... ou espiritual.

Ednilson apenas respondeu:

— Foi... inexplicável.

Enquanto isso, uma nova aba foi aberta no navegador. Ednilson não viu. Só piscava no cantinho:

📁 Clube de Leitura dos Carecas Pensantes – edições mensais

E lá no servidor, uma pasta foi criada por alguém que ninguém conhecia, chamada:

📂 "Sementes do caos – arquivos A."

Adalberto e a Aula da Selva

 Era uma terça-feira nublada, daquelas que já começam estranhas: pássaros voando baixo, internet caindo em todas as salas, e a coordenadora reclamando que o micro-ondas da sala dos professores “pisca quando alguém espirra”.

Adalberto estava com saudades do caos. E mais ainda, daqueles pestinhas do 9º ano — os campeões em bagunça, cuspe no bebedouro, apelidos cruéis e "tá pegando fogo" nos grupos de WhatsApp da escola.

Decidiu então que era dia de aprendizado. Mas não o tipo que se ensina com giz e lousa.

Com um estalar de dedos invisível, o tempo parou.

Alunos, professores, carros, vento, tudo ficou imóvel. Menos ele.

Pela cidade silenciosa, Adalberto passou de casa em casa, pegando um por um: Rafa com o celular na mão, Bia colocando chiclete na maçaneta do quarto, Miguel comendo salgadinho no café da manhã. Cada um foi levado, no maior estilo “mágica de feira”, para a escola já vazia — o velho prédio de concreto cinza, agora silencioso e assustador.

Na sala do 9º ano, um a um foi colocado sentado na carteira, todos paralisados em posições diversas, até que... o tempo voltou.

— Ué??? — exclamou Tiago, olhando em volta. — Como vim parar aqui?

— Eu tava em casa! — gritou Bia. — Tinha aula hoje?

— Isso é trote? — disse Miguel, olhando pela janela escura. — Cadê todo mundo?

Foi então que ouviram um som: grrrrhhhh.

— Vocês ouviram isso? — perguntou Rafa.

Na escada do prédio principal, uma sombra enorme apareceu. Não era o inspetor nem o diretor. Era... um URSO.
De verdade. Gigante. Peludo. E babando.

— CORRE! — gritaram em uníssono, disparando pelos corredores.

Mas não havia saída. No pátio, duas girafas pastavam tranquilamente nos canteiros. No laboratório, um chimpanzé comia as pastilhas de álcool em gel. No banheiro feminino, um flamingo discutia com o reflexo no espelho.

— ISSO É UM SONHO! — chorava Tiago.
— OU UM FILME DA SESSÃO DA TARDE!!! — gritava Bia, tentando subir numa estante.
— AAAAAH O MACACO PEGOU MINHA MOCHILA! — Miguel urrava em desespero.

Adalberto, invisível, assistia de camarote. Entrava nas salas, girava cadeiras, abria armários com esqueletos falsos, soltava barulhos de tigre no sistema de som da escola e deixava marcas de patas falsas pelo chão.

O pânico era absoluto.

Até que, do nada... tudo congelou de novo. Animais, crianças, folhas ao vento, todos imóveis.

Adalberto recolheu seus “convidados especiais” — girafa por girafa, urso por urso, chimpanzé e flamingo — e os devolveu sorrateiramente ao zoológico. Ainda teve o cuidado de deixar um peixe-palhaço no aquário da diretora, por pura ironia.

Quando o tempo voltou, os alunos estavam... de volta às suas casas. No sofá, no banheiro, no quarto. Desnorteados.

Na manhã seguinte, a escola recebeu dezenas de mensagens de pais:

“Meu filho acordou no chuveiro gritando ‘o urso vai me pegar!’”

“Bia não quer mais ver flamingos nem no papel de parede.”

“Miguel está jurando que foi perseguido por uma girafa no pátio.”

E no mural da escola, alguém colou — sem ninguém ver — uma cartolina com letras coloridas, onde se lia:

“Educar não é domar. É deixar que o medo ensine por um tempo.”
— A.”