terça-feira, 10 de junho de 2025

Responsabilidade com o Responsável

 Ser humano é mais do que viver para si mesmo. É também assumir o papel de guardiões do que nos foi confiado — animais, plantas, a terra. Temos o dom da razão, e com esse dom, vem a responsabilidade de cuidar, preservar e fortalecer a vida ao nosso redor.

Nosso cão não é apenas um companheiro. Ele é um amigo, um ser que depende de nós para viver com dignidade. E por isso, devemos ter responsabilidade com esse responsável — aquele que nos ama sem exigir nada, que nos protege, que se alegra com a nossa presença. O mínimo que devemos a ele é zelo, cuidado e consciência.

Não é ético forçar raças como os pugs, por exemplo, a se multiplicarem com genes que provocam sofrimento: narizes achatados, problemas respiratórios, dificuldades motoras. Isso é ir contra a natureza e contra o próprio princípio da criação. Criar um ser para viver doente é desumano. A genética deve ser usada para fortalecer, não para enfraquecer.

Da mesma forma, com as plantas que comemos, devemos cultivar com respeito e sabedoria. Plantas saudáveis nutrem melhor, resistem às pragas, enriquecem o solo. Mas quando manipulamos a natureza unicamente por lucro ou por vaidade, criamos frutos que duram mais na prateleira, mas não nutrem como deveriam. Estamos alimentando o corpo com menos do que ele precisa e o espírito com menos ainda.

A responsabilidade verdadeira é silenciosa, paciente, muitas vezes invisível. Ela está no criador que seleciona cães com boa respiração e estrutura forte. No agricultor que respeita a terra e escolhe sementes rústicas e vivas. Está em cada um que cuida do que é vivo como se cuidasse de um filho.

Porque no fim das contas, é isso mesmo: somos pais e mães da natureza domesticada. E assim como um pai deve ensinar e fortalecer o filho, nós devemos fortalecer os seres sob nossos cuidados.

O mundo não precisa de mais controle. Precisa de mais consciência do lugar que ocupamos. Precisamos voltar a agir como faziam nossos avós no campo: com sabedoria passada adiante, com respeito ao ritmo das coisas, com responsabilidade por cada vida sob nosso teto — ainda que essa vida seja de quatro patas ou de raízes fincadas na terra.

Se somos humanos, devemos ser também humanizadores. Cuidar para que cada ser que criamos ou cultivamos tenha não só vida, mas vida digna.

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