terça-feira, 10 de junho de 2025

Quando a Genialidade Esquece da Vida

 Nietzsche, Schopenhauer, Cioran — três nomes imensos, pensadores de profundidade incontestável, cujas ideias atravessaram séculos. Mas há algo curioso, talvez até trágico, que une esses três gênios: nenhum deles teve filhos.

Nietzsche declarou a “morte de Deus”, e nisso ele não estava necessariamente errado. A modernidade, de fato, afastou-se dos símbolos, dos ritos e da transcendência. Mas quando se diz que Deus morreu, a pergunta mais profunda não é sobre o divino em si, mas: o que colocaremos no lugar? O que sustenta o sentido da vida quando os pilares tradicionais ruem?

Historicamente, comunidades tradicionais e religiosas sempre souberam responder a essa pergunta: a vida tem valor porque vem de algo maior, e porque deve continuar. A transmissão da vida, através dos filhos, era não só um instinto, mas um dever moral, uma parte natural da existência. E era ali, muitas vezes, que se encontrava a alegria, o trabalho com propósito, a memória e o futuro.

Mas isso não significa que uma comunidade secular esteja condenada ao vazio. Não é a religião em si que garante o sentido — é a cultura que valoriza a vida, que incentiva a fecundidade, que compreende que viver é também gerar, cuidar e transmitir. É isso que falta hoje: uma ideologia fecunda, uma visão de mundo que celebre a continuidade humana sem depender de dogmas.

Schopenhauer enxergava o sofrimento com precisão, mas não soube apontar o caminho para superá-lo: não é negando a vida que ela melhora, mas criando raízes. Cioran esculpiu o desespero com beleza, mas nunca ousou construir. Nietzsche sonhou com o “além-do-homem”, mas sem filhos, sem legado, sem casa, o além vira negação — não construção.

A verdadeira lucidez não está em apenas denunciar o caos. Está em responder a ele com coragem fecunda. Está em formar famílias, em transmitir valores, em plantar árvores que talvez não veremos crescer — mas que outros verão.

O que falta à modernidade não é fé em Deus, mas fé na vida. Falta cultura que celebre o nascimento. Falta orgulho em formar uma família. Falta política que favoreça o crescimento, não o encolhimento humano. Falta poesia que fale dos filhos. Falta filosofia que abrace o ciclo da vida, e não o lamente.

Que os novos pensadores não cometam o mesmo erro: que pensem, sim — mas que também vivam. Que construam. Que gerem. Que deixem não só livros e ideias, mas pessoas.

Porque no fim, a única filosofia que se sustenta é aquela que faz nascer.

Negar a Fertilidade: Um Ato Contra Si Mesmo

 Há algo profundamente errado quando um ser escolhe, conscientemente, interromper o próprio ciclo natural de vida. Não ter filhos — ou decidir nunca tê-los — pode parecer uma escolha racional e moderna, mas, sob o olhar da natureza e da ordem tradicional das coisas, é um ato de autonegação. Um gesto silencioso, porém radical, contra a própria existência.

É como pegar uma lâmina e se cortar. Como tomar um veneno sabendo que fará mal. Como entrar em uma casa e, voluntariamente, apagar todas as luzes e trancar as portas por dentro.

É como uma árvore que cresce vigorosa, estende seus galhos como braços para os céus — galhos esses que poderiam dar sombra, flores, frutos —, mas que, por vaidade ou confusão, começa a destruir suas próprias sementes. A civilização moderna, com seus galhos de tecnologia e consumo, parece esquecer que sem sementes, nenhuma árvore vive por muito tempo.

Imagine um gato que, por escolha própria, decide se castrar. Um comportamento impensável no mundo natural. Ou um chimpanzé macho que, sem traumas, sem doença, simplesmente se recusa a viver com o grupo, evita as fêmeas e se isola — algo extremamente raro e antinatural. Esse tipo de desvio só ocorre quando há algo profundamente errado no ambiente.

Pense numa formiga operária que se volta contra sua rainha e destrói o ninho — condenando a própria colônia à extinção. Ou numa abelha rainha que, diante das condições ideais, se recusa a botar ovos. Que sentido teria sua existência? Como continuaria a vida no enxame?

Essas comparações, embora simbólicas, ajudam a enxergar o absurdo que se tornou normal: negar a fertilidade como se ela fosse um fardo, e não um dom.

A civilização que rejeita os filhos rejeita o futuro. Está, aos poucos, desligando o motor da própria existência. E o faz de forma voluntária, com discursos sofisticados, mas vazios. É uma geração que quer tudo, menos continuar.

Por isso, negar os filhos é negar a si mesmo. É romper com a própria origem. É escolher o fim, ainda que se esteja cercado de vida.

A natureza não perdoa quem vai contra ela por muito tempo. O ciclo precisa continuar. E toda espécie que perde o instinto de reprodução… simplesmente desaparece.

Quantos Filhos Deveríamos Ter?

 Na natureza, cada espécie segue um ritmo próprio de reprodução. O número de filhotes que cada animal tem não é aleatório: ele reflete a luta pela sobrevivência, a sabedoria do instinto e o equilíbrio da vida.

Os sapos, por exemplo, botam centenas, até milhares de ovos. Desses, nascem girinos, mas a maioria não sobrevive: são predados, secam ao sol ou não chegam à fase adulta. Por isso, precisam gerar muitos para que alguns poucos cheguem à vida adulta. A natureza ajusta: quanto maior o risco de morte, maior o número de descendentes.

Já os macacos — especialmente os primatas como os chimpanzés — vivem em grupos sociais mais complexos e oferecem cuidado materno prolongado. Por isso, o número de filhotes é menor: uma fêmea chimpanzé terá, em média, de 3 a 6 filhotes ao longo da vida. É um número que permite à mãe cuidar, proteger e ensinar cada um. É pouco? Não. É o necessário para que a espécie continue com equilíbrio e dignidade.

E os seres humanos?

Se pensarmos de forma natural, como nossos antepassados viviam, uma mulher que se casasse por volta dos 18 anos, como sempre foi tradicional em muitas culturas, e que não usasse métodos contraceptivos artificiais, teria ciclos férteis até aproximadamente os 45 a 50 anos. Com um intervalo médio de 2 anos entre os partos, poderia, sem dificuldades, ter entre 10 a 14 filhos ao longo da vida. Com perdas naturais que ocorriam no passado (doenças, partos difíceis, mortalidade infantil), esse número se equilibrava.

Assim, uma média de 7 filhos por mulher seria, em um meio natural, algo bastante razoável e até necessário para garantir a continuidade da comunidade e da cultura familiar.

Contudo, na civilização moderna, esse número é visto como um exagero. A mulher é incentivada a adiar o casamento, priorizar estudos e carreira, usar anticoncepcionais e, muitas vezes, não ter filhos ou ter um ou dois no máximo. Tudo em nome de uma suposta liberdade e planejamento.

Mas o que ganhamos com isso?

Hoje temos remédios, vacinas, hospitais, antibióticos. As crianças dificilmente morrem de doenças simples. Isso quer dizer que poderíamos, com segurança, criar uma família numerosa, algo que antigamente era difícil. Mas escolhemos o contrário. O mundo moderno, com toda a sua segurança, está produzindo menos filhos do que nunca.

Não deveríamos nos preocupar?

A taxa de natalidade despenca. Muitos países já veem mais mortes do que nascimentos. As famílias se reduzem a casais solitários, idosos sem netos, crianças sem irmãos. E a solidão cresce, junto com a depressão, os distúrbios mentais, o vazio.

A natureza foi clara em sua lógica: viver é também passar adiante. Ter filhos é mais do que biologia. É legado, continuidade, amor em movimento. E negar esse instinto — por mais civilizados que sejamos — pode nos levar a um caminho frio e sem raízes.

Não seria hora de parar e refletir se o rumo que estamos seguindo é, de fato, o mais humano?

O Instinto Natural de Ter Filhos e a Perda de Sentido na Vida Moderna

Entre os chimpanzés, nossos parentes mais próximos no reino animal, a reprodução não é apenas uma consequência biológica: é parte fundamental de sua existência. As fêmeas têm, em média, de 3 a 6 filhotes ao longo da vida, cuidando intensamente de cada um com dedicação e paciência. Os machos, por sua vez, competem, protegem e se esforçam para deixar descendentes, preservando o ciclo da vida.

Esse mesmo instinto é observado em incontáveis espécies — os pássaros, por exemplo, constroem ninhos com zelo, alimentam seus filhotes e os ensinam a voar. A vida, para eles, é simples e clara: nascer, crescer, reproduzir, proteger a prole, transmitir o legado e, assim, dar continuidade à espécie.

Os seres humanos, por milhares de anos, também viveram em sintonia com esse ciclo natural. Ter filhos era uma bênção, um sinal de continuidade, de força familiar e de propósito. No entanto, a civilização moderna e a globalização têm incentivado um caminho diferente: adiar ou evitar completamente os filhos. A busca por conforto, carreira, consumo e liberdade individual parece ter substituído a missão ancestral da família.

Mas será que esse novo caminho está nos fazendo bem?

Crescem, em proporções alarmantes, os índices de depressão, ansiedade, vazio existencial e perda de sentido na vida moderna. Muitos vivem cercados de tecnologias, distrações e conquistas materiais, mas sentem-se sozinhos e perdidos. O que antes era um instinto claro e natural — formar uma família e gerar vida — agora é muitas vezes visto como um peso ou uma escolha inconveniente.

Essa desconexão com o propósito natural pode ser uma das raízes do sofrimento silencioso que assola tantas pessoas. Afinal, quando se apaga o fogo do instinto de continuidade, sobra o quê? Um mundo artificial, onde tudo parece passageiro e descartável.

Voltar os olhos à natureza — aos chimpanzés, aos pássaros, aos nossos próprios ancestrais — pode ser um chamado para refletirmos. A vida tem mais sentido quando se enxerga o outro, quando se pensa no amanhã e quando se cuida de alguém que depende de nós.

Talvez, no fundo, o que falta ao mundo moderno é justamente isso: relembrar que viemos para amar, cuidar e continuar.

domingo, 8 de junho de 2025

Artigo XX – Da Expansão Justa e Planejada da Terra para Gerações Futuras

 

  • Em uma comunidade fundada sobre os princípios da vida simples, do trabalho digno e da harmonia com a natureza, é natural que, com o tempo, novas famílias se formem e, portanto, seja necessária a aquisição de novas terras.

  • Tal expansão deve se dar com ordem, prudência e responsabilidade, tendo em vista:

    • A preservação do modo de vida rural e autossuficiente;

    • O cuidado com os recursos naturais já existentes;

    • A continuidade das famílias, evitando o êxodo dos filhos por falta de espaço ou meios de subsistência.

  • A aquisição de terras poderá ser feita por:

    • Membros antigos da comunidade que possuam meios;

    • Novos membros interessados em integrar-se, desde que aprovados conforme os critérios estabelecidos pelo Concílio ou órgão comunitário;

    • Parcerias com famílias ou benfeitores que disponham de terras amplas e desejem fundar o núcleo inicial da comunidade.

  • Qualquer pessoa, desde que disposta a seguir os princípios fundadores, pode iniciar uma célula comunitária — não se exige riqueza, mas constância, valores claros e disposição para o trabalho e a partilha.

  • No princípio da formação ou expansão da comunidade, será possível o uso de meios legítimos de divulgação (como folhetos, reuniões, chamadas em redes sociais tradicionais) para recrutar famílias alinhadas com o ideal. Esta divulgação deve evitar a busca massiva ou superficial, e sim visar pessoas verdadeiramente dispostas a abraçar a vida comunitária com seriedade.

  • A expansão nunca deverá ocorrer com o fim de lucro ou domínio de terra, mas sim com o objetivo de manter:

    • A autossuficiência alimentar;

    • O trabalho artesanal e cooperado;

    • O respeito ao espaço natural, à flora e à fauna locais.

  • Cabe ao órgão comunitário deliberar, por ata e com consulta aos anciãos ou fundadores, quais famílias estão aptas a receber ou adquirir novos lotes de terra, com base em sua contribuição, equilíbrio familiar, e comprometimento com os valores da comunidade.

  • Artigo XIX – Do Aproveitamento do Clima Local e da Sabedoria da Permacultura

     

  • A comunidade de Campos da Razão deve trabalhar em harmonia com a terra, os ciclos do tempo e o que a natureza local já oferece. A natureza, quando respeitada, ensina e sustenta.

  • Toda produção deve seguir os princípios da permacultura, ou seja:

    • Usar o que já existe no solo e no clima local;

    • Adaptar-se às estações e aos ciclos naturais;

    • Evitar intervenções artificiais, dispendiosas e desnecessárias.

  • Assim como o corpo humano não deve ser violentado, a terra também não deve ser ferida com práticas brutais ou destrutivas, mas sim compreendida e cuidada com sabedoria, como os antigos faziam com suas hortas, pomares e currais.

  • Exemplo disso são as araucárias, árvores antigas e nobres, que fornecem o pinhão, alimento farto e saudável, além de abrigo para aves e sombra para o gado.

    • Nenhuma araucária poderá ser derrubada para dar lugar a plantações exóticas, casas ou cercas;

    • O pinhão deve ser colhido e aproveitado com gratidão, mantendo-se o respeito à árvore-mãe.

  • As espécies nativas devem ser preservadas, multiplicadas e aproveitadas em tudo que podem oferecer, desde que sem destruição.

    • As plantas medicinais, as frutas do mato, as árvores de madeira dura e os bichos da terra têm papel na manutenção da vida e da cultura da região.

  • O modelo a seguir é o da roça tradicional, pequena, variada e rotativa, onde se plantam legumes, raízes, grãos e frutas juntos, e onde a criação é integrada ao uso da terra com equilíbrio.

  • O trabalho com a terra será sempre mais sábio quando observa antes de agir, e valoriza o que o lugar já tem, em vez de tentar impor modelos alheios, trazidos de fora, que não respeitam o ciclo da vida nem o espírito da terra.

  • Artigo XVIII – Do Uso da Terra e da Medida Justa para a Subsistência

     

  • Em Campos da Razão, a terra é entendida como bem de uso, não de lucro. Seu valor está no sustento que oferece às famílias, e não na extensão, na posse ostensiva ou na ambição de ganho.

  • Nenhuma família necessita de vastas extensões de terra para viver com dignidade, desde que a terra seja bem cuidada, trabalhada com sabedoria e comedimento.

  • O uso da terra deve seguir o princípio da medida justa:

    • Terra suficiente para plantar, colher e alimentar a si e aos seus;

    • Espaço adequado para criar animais úteis ao sustento familiar;

    • Respeito às reservas naturais, cursos d’água e áreas comuns da comunidade.

  • Não será permitida a concentração de terras com o intuito de obter vantagem sobre os demais, nem o acúmulo improdutivo. A terra que exceder a necessidade da família poderá ser redistribuída pelo Concílio ou posta a serviço do bem comum.

  • O modelo defendido não é o do fazendeiro moderno, que planta com o fim de exportar, vender e lucrar, mas sim o do lavrador antigo, que semeia para comer, divide o excedente e honra a terra como se fosse parte do próprio sangue.

  • A produção deve seguir a lógica da subsistência digna, com sobras naturais que possam ser trocadas dentro da comunidade ou armazenadas para tempos difíceis – não para comércio em larga escala com o mundo exterior, que conduz à dependência e à desordem dos valores.

  • O Concílio poderá definir, conforme o solo e o clima locais, qual é a medida justa de terra por família, mantendo a igualdade, a ordem e a capacidade de preservação das gerações futuras.

  • Artigo XVII – Das Famílias Optantes e da Organização do Trabalho Comunitário

     

  • Campos da Razão reconhece que o sustento da vida se baseia principalmente na produção de alimentos, mas também depende de diversos outros ofícios que garantem o bem-estar, a continuidade e a dignidade do viver humano.

  • Qualquer família da comunidade, seja produtora direta de alimento ou dedicada a ofícios complementares (como marcenaria, tecelagem, confecção de ferramentas, livros, cuidados, ensino, entre outros), poderá requerer sua inclusão como Família Optante, desde que aceite os termos estabelecidos pelo Concílio Comunitário.

  • Ao ser aceita como Família Optante, a família:

    • Receberá de forma igualitária os bens essenciais produzidos pela comunidade (alimento, vestuário, materiais, cuidados, abrigo);

    • Contribuirá com sua produção – seja de alimento ou de bens e serviços – entregando parte justa ao fundo comum da comunidade;

    • Estará sujeita a avaliação periódica da sua contribuição e compromisso.

  • A produção da comunidade poderá ser administrada por um(a) Responsável pelo Trabalho e Distribuição, ou um grupo eleito para esse fim, com as seguintes funções:

    • Zelar pela equidade no esforço e no retorno;

    • Avaliar se as famílias optantes estão de fato contribuindo proporcionalmente à capacidade e aos meios que possuem;

    • Ajustar, conforme a realidade e a justiça, as exigências e o retorno de cada família;

    • Submeter à assembleia qualquer decisão importante que exija mudança de regras.

  • O regime básico de trabalho será:

    • 6 horas diárias por adulto produtivo, com respeito às diferenças físicas e ao ciclo da vida;

    • 2 dias de descanso por semana, organizados conforme as necessidades da produção e da convivência;

    • Regime flexível, porém ordeiro, podendo ser alterado por decisão da comunidade, sempre visando o bem comum e a dignidade do trabalhador.

  • Nenhum trabalho honesto será considerado inferior: lavrar a terra, educar os filhos, construir uma casa ou preparar o alimento são atos igualmente honrosos quando feitos com dedicação e responsabilidade.

  • Este sistema existe para preservar a autossuficiência, a justiça distributiva, a solidariedade e a ordem. É preferível o esforço simples e digno ao luxo vazio e à dependência do mundo exterior.

  • Artigo XVI – Do Compromisso com a Razão e com a Verdade Natural

     

  • A comunidade Campos da Razão fundamenta-se na visão de mundo naturalista e racional, rejeitando a necessidade de doutrinas religiosas para a condução moral, ética e social da vida humana. Não se nega a história das religiões, mas entende-se que a razão, a experiência e a observação da natureza são suficientes para orientar a vida de maneira justa e ordenada.

  • Os ensinamentos da biologia, especialmente os que tratam da reprodução, da hereditariedade e da continuidade das espécies, são vistos como fundamentais para a educação desde a infância. A verdade da vida está escrita no corpo, no sangue, na terra e na história. O ser humano, como todos os seres vivos, tem como missão natural a reprodução e a formação de descendentes saudáveis, férteis e capazes de perpetuar o bem.

  • A sexualidade e a fertilidade não são vistas como temas meramente privados ou culturais, mas como partes essenciais da natureza humana. Educar para a continuidade da vida é dever das famílias, e a esterilidade voluntária sem causa maior é vista como um desvio dos fins naturais da existência.

  • A transmissão da vida não se resume à reprodução física, mas inclui a herança de valores, habilidades, sabedoria e amor pelo que é duradouro. Ter filhos e educá-los bem é o maior ato de responsabilidade e grandeza humana.

  • As crianças aprenderão desde cedo, de forma gradual e adequada à idade, que:

    • São parte de uma cadeia viva que as antecede e que deve continuar;

    • A vida tem fim e sentido no cultivo do que é mais alto, não do que é mais fácil;

    • A razão é uma ferramenta preciosa, e seu exercício deve ser incentivado com firmeza e reverência pela verdade observável.

  • Serão lidas e estudadas obras científicas e filosóficas clássicas que confirmem essa visão de mundo: autores antigos e modernos que reconhecem a ordem da natureza e a responsabilidade do ser humano diante dela.

  • Artigo XV – Sobre os Meios de Formação Cultural e Moral

     

  • Campos da Razão reconhece que os meios culturais têm papel formador, e que tudo o que entra pela mente molda o coração, a moral e a conduta. Assim, a comunidade desencoraja e restringe o uso de entretenimentos digitais e virtuais, especialmente os que promovem violência vazia, estímulos visuais desordenados, ou a distração constante — como a maior parte dos vídeo games produzidos pela cultura de massas.

  • Os vídeo games modernos, sendo em sua maioria oriundos de indústrias que promovem valores contrários à ordem, à virtude e à vida simples, serão considerados, por princípio, incompatíveis com a vida em Campos da Razão, excetuando-se raras produções educativas e comprovadamente úteis, que só poderão ser aceitas mediante deliberação da assembleia e registro em ata.

  • A cultura da comunidade será centrada nos livros impressos, preferencialmente em edições duráveis, legíveis e belas. Esses livros formarão a biblioteca da comunidade, acessível a todos, e contendo:

    • Os livros fundadores, com os princípios e valores da comunidade;

    • Obras clássicas da literatura ocidental, como A Odisseia, A Ilíada, Eneida, Dom Quixote, Os Lusíadas, entre outras que ensinem heroísmo, honra, fidelidade, coragem, maternidade e prudência;

    • Obras religiosas, filosóficas e pedagógicas que sustentem uma vida ordenada.

  • Nenhum livro poderá ser introduzido livremente na comunidade. Toda nova obra deverá ser:

    • proposta formalmente;

    • lida e avaliada por um grupo de leitura comunitário;

    • votada em assembleia;

    • e, se aceita, registrada em ata.

  • A arte será considerada essencial, mas direcionada conforme os dons e vocações naturais:

    • Às mulheres, recomenda-se o cultivo da literatura, música, pintura, bordado, dança tradicional e outras artes que eduquem a alma para a beleza, o silêncio e a transmissão da vida;

    • Aos homens, propõe-se o estudo da arquitetura, marcenaria, construção, desenho técnico, canto coral, escrita e oratória — artes ligadas à edificação da comunidade e da cultura durável.

  • As crianças crescerão em contato com o belo, o bom e o verdadeiro. Não serão expostas precocemente a imagens deformadas ou sons desordenados. O uso de telas será limitado, acompanhado e sempre subordinado à educação moral e intelectual.

  • A beleza não é luxo: é forma visível da verdade. Por isso, a cultura em Campos da Razão deverá ser protegida, cultivada e transmitida com zelo.

  • sábado, 7 de junho de 2025

    Artigo XIV – Sobre a Adoção de Filhos e sua Integração na Comunidade

     

  • A adoção, quando realizada com espírito de dever e abertura à vida, é um ato nobre e plenamente aceito em Campos da Razão. Assim como a natureza concede filhos pelo sangue, a Providência pode concedê-los pela escolha.

  • Casais que não puderem ter filhos biológicos são incentivados a considerar a adoção, desde que com responsabilidade, paciência e pleno comprometimento com os valores da comunidade.

  • A criança adotada será considerada, em tudo, filho legítimo do casal adotante: com os mesmos deveres e os mesmos direitos de qualquer outro filho da comunidade.

  • A adoção de crianças de fora da comunidade exige:

    • cuidadosa verificação da origem da criança;

    • tempo de adaptação em ambiente acolhedor;

    • aprovação pela assembleia comunitária;

    • e um período de formação e convivência com famílias exemplares da comunidade, para garantir a transmissão dos valores.

  • Não se adota por pena, carência ou vaidade. Adota-se por missão.

  • A criança adotada não poderá manter vínculos com costumes ou culturas opostas às de Campos da Razão. Após a adoção, sua formação será plenamente comunitária. Qualquer exposição a valores ou práticas externas que comprometam a ordem será corrigida com orientação firme.

  • Adolescentes com idade superior a 12 anos poderão ser acolhidos apenas em casos excepcionais, e deverão declarar por escrito — com entendimento claro — o desejo de viver segundo os princípios da comunidade.

  • A adoção também pode ser uma forma de proteger órfãos e crianças de membros falecidos ou ausentes. Nesse caso, a comunidade dará preferência a parentes ou casais estabelecidos e respeitados, assegurando a continuidade dos vínculos familiares.

  • A adoção é um testemunho: de que a herança não se dá apenas pelo sangue, mas também pelo espírito.

  • Artigo XIII – Sobre Casais que Recusam a Prole

     

  • O matrimônio, por sua natureza, está orientado à geração e educação dos filhos. Um casal que se une dentro da comunidade deve fazê-lo com o espírito aberto à vida e à continuidade dos valores herdados.

  • A recusa deliberada e permanente em ter filhos, sem motivo grave de saúde ou consciência reta e bem fundamentada, fere o espírito de Campos da Razão.

  • Casais que manifestarem a intenção de não gerar filhos serão chamados ao diálogo com os anciãos da comunidade, a fim de entender suas razões e orientá-los com caridade e firmeza.

  • Caso permaneçam nessa decisão, sem justificativa aceita pela assembleia, poderão:

    • ser convidados a reconsiderar sua permanência na comunidade;

    • ou aceitar uma condição de membro não votante e não formador de núcleo familiar pleno, com acesso restrito às decisões e heranças comunitárias.

  • A fecundidade é mais do que biológica: é espiritual, cultural e simbólica. Casais estéreis por natureza, mas abertos à adoção ou ao serviço comunitário com espírito generoso, serão acolhidos com honra, pois mantêm viva a chama da continuidade.

  • A esterilidade voluntária e egoísta, por outro lado, será sempre desencorajada, pois contraria o bem comum, o futuro da comunidade e a ordem natural.

  • Artigo XII – Sobre o Uso de Anticoncepcionais e o Dever da Fecundidade

     

  • A fertilidade é dom e dever. Cada nascimento é um testemunho de continuidade, de esperança e de fidelidade à ordem natural instituída desde os primórdios. Em Campos da Razão, a geração de filhos não é vista como fardo, mas como missão.

  • O uso de anticoncepcionais artificiais, sejam eles químicos, físicos ou hormonais, não condiz com os princípios da comunidade, pois interfere de maneira voluntária e técnica no curso natural da vida.

  • Homens e mulheres que fazem parte da comunidade devem compreender que o corpo não é objeto de controle mecânico, mas instrumento sagrado da criação e da perpetuação do povo.

  • Não há pecado em espaçar nascimentos com prudência, caso haja riscos à saúde da mãe ou graves razões familiares. Contudo, esse espaçamento deve ser feito por meio do conhecimento do ciclo natural feminino (métodos naturais), nunca pela negação radical da fertilidade.

  • A cultura moderna de evitar filhos por motivos de conforto, vaidade ou medo da responsabilidade é combatida em Campos da Razão, pois ela mina as bases da família forte e do povo numeroso.

  • Cada novo filho é um tijolo na construção da comunidade. A mulher fecunda é honrada. O homem que sustenta muitos filhos é digno.

  • Casais que tiverem dúvidas ou dificuldades quanto à fecundidade serão aconselhados pelos mais velhos e por casais experientes, com caridade, firmeza e sabedoria, nunca com leviandade.

  • O corpo humano não deve ser violentado com dispositivos, pílulas ou esterilizações. Tais práticas serão consideradas incompatíveis com a permanência plena na comunidade, salvo quando houver justificação médica verdadeira e reconhecida pela assembleia.

  • O futuro da comunidade depende não apenas do número dos seus membros, mas da convicção com que se transmitem a vida, a cultura e a fé na ordem natural. O ventre fecundo é solo sagrado.